segunda-feira, outubro 02, 2006

Bebi tanto que senti minha pernas tremeram. Fui ao chão em instantes. Recostado no canto do meu quarto dormi. Um velho me acordou. Falou para que eu não tivesse medo. Perguntei o que queria. Queria saber se eu estava disposto a mudar o futuro do país. Não lhe respondi nada. Pensei em como seria estar no gabinete do presidente, bebendo champagne acompanhando de belas mulheres. Ao fundo uma buzina de navio me chamou a atenção. Não havia mar. Não havia navio. Havia muitas árvores. Uma floresta. O som vinha de uma espécie de máquina rupestre. Realmente me senti ébrio. Prometi parar de beber. Alguém me pegou pela mão. Uma jovem. Cabelo castanho. Queria saber onde era o banheiro. Não me lembro bem, mas acho que indiquei o caminho do sótão. O velho sorriu. A buzina fez soar-se. Senti gosto de champagne. Tudo começou a rodar. Senti de repente que estava caindo. Parei. O ar estava com um cheiro podre. Estava num pântano. Um jacaré me acenou e apontou o céu. Havia sol. Havia lua. Aos meus pés uma pá. Um cavalo passou galopando e deixou cair um baú. Não havia cadeado. Abri. Dentro havia muitas jóias. Havia ouro. Não senti vontade de pegar. Enterrei o baú. Fiz um X em cima. Pedi a um dragão que não deixasse nenhum homem chegar perto desse local. Desenhei um mapa com várias coordenadas e entreguei-o a um bebê que disse ser um anjo. Ele tocava harpa e disse amar todos os humanos. Ele me levou a uma cidade feita de cartolina. Sentei num banco de isopor e senti o cheiro das flores de papel crepom. Choveu. Corri e me escondi debaixo de um telefone público. O telefone tocou. Atendi. Era o velho. Me disse: Recobra-te e siga seu caminho. Esqueça-te que veio nesta vida para subir degraus. A escada acabou. Me senti leve. Uma luz forte invadiu meus olhos. Acordei e me vi num necrotério. Droga. Acho que dessa vez não terei uma segunda chance.

9 Comments:

Anonymous Janaína Calaça said...

E mesmo que esta segunda chance aparecesse já não seria a mesma chance, nem o mesmo homem à sua espera.
Agradeço a visita ao Noturnando, Osório. :) Meu blog faz parte de um projeto chamado Selva, que é um agregador de blogs sobre literatura, crítica literária, arte em grafitti, tirinhas. Enfim, tem de tudo! :D Queria te convidar a conhecer o projeto. A home do Selva tem o link para todos os blogs que fazem parte do projeto. Espero que vc possa dar uma passadinha por lá. :)
O endereço é http://naselva.com

Queria também te pedir permissão para publicar "As coisas mudam..." no blog para convidados do Selva, o Civilizados. Posso? Em um parágrafo você sintetizou as mudanças não só temporais do menino-homem.

Beijos

Jana

03 outubro, 2006 14:24

 
Anonymous Janaína Calaça said...

Acabei me atrapalhando toda aqui! :)
Quero pedir permissão para a publicação dos textos do Manoel Van Pelt (As coisas mudam...) e o seu mais recente (o que está sem título). :)

Beijos

Jana

03 outubro, 2006 14:27

 
Anonymous Lindinha said...

Confuso mas bonito.
Vim agradecer e retribuir tua visita em minha casa.
Obrigada, de verdade!
Beijo no coração...

"Decifra-me... ou devoro-te... Arrisque-se se for capaz."

03 outubro, 2006 14:36

 
Anonymous Janaína Calaça said...

Os textos serão publicados no: http://civilizados.naselva.com

Como os textos são publicados de dois em dois dias, eles provavelmente irão para o ar no dia 6 e no dia 8.
:)

Abraços,

Jana

03 outubro, 2006 21:38

 
Anonymous Lindinha said...

Queres esquentar um pouquinho? Passa lá no Decifra-me... Tem um post de arrepiar.
Bom final de semana!!
Beijo no coração...

"Decifra-me... ou devoro-te... Arrisque-se se for capaz."

05 outubro, 2006 16:41

 
Anonymous Lindinha said...

Acabei de atualizar o Decifra-me com um texto mais light hoje. Passa lá e me dá tua opinião, tá?
Semana linda pra tu!!
Beijo no coração...

“Decifra-me... ou devoro-te... Arrisque-se se for capaz.”

09 outubro, 2006 12:20

 
Anonymous Lindinha said...

Acabei de atualizar o Decifra-me com um texto mais light hoje. Passa lá e me dá tua opinião, tá?
Semana linda pra tu!!
Beijo no coração...

“Decifra-me... ou devoro-te... Arrisque-se se for capaz.”

09 outubro, 2006 12:20

 
Anonymous Dalila Flag said...

Texto bom mesmo. Muita alegoria, uma viagem bem sucedida que prende a atenção. A fala do "velho" é um tanto metafísica, ou não? E, segunda chance... não creio. Mesmo assim achei muito interessante a maneira como colocou as coisas.
Beijos e apareça no meu outro espaço. Só de contos. Deixo o endereço.

10 outubro, 2006 03:29

 
Anonymous dexy said...

Muito interessante o conto.Estou conhecendo o espaço e gostando muito.Sempre bom ter um lugar aberto a todas as tendencias literarias.Esta troca de estilos só enriquece! parabens.dexy

11 outubro, 2006 13:45

 

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