quinta-feira, setembro 14, 2006

A Batalha de Águas

Muitos tem me pedido para contar uma história. Não lembro de nenhuma história que me venha a cabeça. Apenas de uma. A história da Batalha das Águas.

Houve um tempo em que a ganância das pessoas não era só por dinheiro ou poder. Houve um tempo em que bruxas, isso mesmo, bruxas, atormentavam os homens. Foi assim que começou a Grande Batalha de Águas.

“O inverno estava sendo rigoroso. Havia neve pelos campos e plantações. Na data mais comemorada pelo Reino de Biphí, por se tratar do dia de sua independência, quando eles expulsaram de suas terras todos os bárbaros e ladrões que se escondiam do grande império, o exército já se reunia. Mas não era uma reunião formal para as devidas cerimônias e homenagens à data. O exército se reunia para a batalha. Havia muita tensão no ar, pois não seria uma batalha fácil. Do norte, vindo do litoral, chegou um reforço, o exército de um reino vizinho, do qual formava os melhores almirantes de que alguém pudesse imaginar. Soldados, cavaleiros, arqueiros, catapultas e muitos voluntários andavam de um lado para outro às ordens dos generais. A batalha já estava para começar.


Havia um bosque, ao leste, numa terra distante, que era assombrado pelas bruxas. Em sua ganância e pelo ódio que sentiam pelos homens, elas poluíram e contaminaram todos os rios e lagos que pertenciam às terras médias. A água potável já não existia mais. E para que esse não fosse o fim do homem, eles deveriam acabar com elas.

Por isso era necessário invadir e acabar com o bosque. As águas do planeta não podiam continuar sendo poluídas. Não havia ninguém no reino de Biphí que não estivesse disposto a fazer o seu melhor possível.

Nos dois primeiros dias a batalha foi árdua. Muitas mortes. A neve que cobria o chão do bosque foi coberta por sangue. Alguns começaram a perder a fé. As bruxas pareciam invadir os sonhos dos homens e atormenta-los. Rondas eram feitas perto das barracas dos generais, para que esses pudessem ter um momento de tranqüilidade enquanto armavam novas estratégias. Mas a batalha estava sendo dada como perdida.

Mas, foi ao terceiro dia, que ao cair de uma chuva fina, os soldados voltaram a ter esperanças. Apareceram ao fim da estrada, reforços. Eram muitos soldados. Faziam-se muitas filas e mais filas com soldados. À frente, guiando os soldados estava o Marechal mais respeitado de todos. Muitos acreditavam ser ele um mito. Ele e seu exército eram detentores de um amuleto mágico, forjado no fogo mais ardente do Conselho do Reino de Biphí, capaz de enfraquecer as bruxas. E não fora só isso. Outro General se fazia presente, Casemirus terceiro. Isso trouxe alegria aos soldados que estavam abatidos pelos dois primeiros dias de batalhas.


Houve um grande conselho com os generais. Formularam suas táticas para vencer a batalha. Ao cair da noite o bosque foi invadido. O amuleto de fato tornara as bruxas mais fracas. Algumas foram mortas com facilidade, enquanto suplicavam suas vidas aos soldados. Infelizmente houve muitas perdas, como a do Marechal Gris. Este que sempre fora envolvido com os assuntos diplomáticos não estava preparado para tamanha batalha. Foi uma grande perda.

Algumas bruxas conseguiram fugir, se escondendo pela noite adentro. Mas a água estava salva. Não haveria mais quem a poluísse.


Aos três mais bravos guerreiros coube enterrar os restos mortais das bruxas. Eles foram incumbidos de adentrar o bosque e não deixar que nenhuma bruxa que tivesse sobrevivido saísse de lá. Para tal, cada guerreiro ganhou um instrumento de proteção: ao primeiro foi dada uma caixa gigante, quadrada e muito pesada, ao qual, quando aberta emitia uma luz forte e um som irritante, que espantavam as bruxas. Ao segundo lhe foi dado um pó mágico, de cor branca e leve, que quando jogado numa bruxa a pretificaria. E ao terceiro, foi dado um tripé, o qual serviria de prisão eterna para as bruxas.

E assim a Batalha de Águas teve seu final feliz.”

5 Comments:

Blogger Jim Ritz said...

Seu Osório,

Quanta satisfação em tê-lo conosco em nosso blog.

Posso dizer que não é porque se perdem dois dias de batalhas que se perde a guerra.

Fico aguardando o seu próximo texto!

14 setembro, 2006 23:22

 
Anonymous aochocolate said...

:)

Foi bom ler ao som da chuva que aqui (Portugal) cai copiosamente.

Gostei da história.
Gostei q o blog recomeçasse.

Se vos apetecer continuem a visitar a Casa Amarela.
Serão benvindos

um abaraço

ana-aochocolate

15 setembro, 2006 05:34

 
Blogger Manoel van Pelt said...

Osório, que honra têlo conosco!

A batalha das águas deve ter sido dura hein?!

Essas bruxas não deviam dar refresco!!

Mas graças a Casemirus e ao Grande Marechal, os 3 guerreiros puderam cumprir sua missão.

Forte abraço,

Maneco

15 setembro, 2006 10:28

 
Blogger Kafé Roceiro said...

Achei interessante você dizer que não lembrava de nenhuma estória, apenas uma.
Um forte abraço,
Kafé.

19 setembro, 2006 10:47

 
Anonymous Anônimo said...

An intгіguіng discusѕion is worth commеnt.
I belіeνe that you should ωritе more on thiѕ subjeсt, it mіght nοt be a taboo subject but usually peoрle don't discuss such topics. To the next! Cheers!!

My weblog ... V2 Cigs

16 maio, 2013 04:12

 

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