segunda-feira, agosto 28, 2006

Ações e Reações

Prezados,

Dado o sucesso repentino do nosso blog, eu, Jim Ritz, me pronuncio a respeito da nossa ausência durante os últimos dias.

Como vocês, leitores, blogueiros e afins, puderam ver a última semana foi agitada. Muitos tópicos muitos comentários e, enfim, muita agitação. Somos humanos apesar de tudo, e por isso temos diferentes reações aos fatos. Algumas são mais fortes e outras nem tanto. A vida é assim, né...

Eu particularmente decidi passar um tempo refletindo na vida, um retiro interior. É um retiro chamado D.I. (sigla para Descobrimento Interior). Há meses tentam me convencer a fazer este curso e é chegada a hora. Isso é bom? Sim, é muito bom! Porém uma das regras ao ingressar no curso é evitar ao máximo a utilização de aparelhos eletrônicos (celular, computador, etc...). Isso me impedirá de postar novos textos.

Isso falando de mim... Hoje tive uma conversa com Manoel (Van Pelt), e ficou decidido que teremos um novo integrante no blog. Ainda estamos chocados com a ausência do nosso amigo Tommie, mas nem por isso deixaremos de divulgar o blog. Certamente quem for convidado terá uma difícil meta de substituí-lo a altura.

Certos de sua compreensão, deixo meus sinceros agradecimentos pelo apoio prestado por todos. Obrigado.

terça-feira, agosto 22, 2006

O Adeus...

A tarde estava nublada, mas batia um vento agradável em seu rosto. Tommie esteve andando pelas ruas da cidade o dia todo. Sem rumos ou direções, apenas andando. Não se lembrara nem da última rua pela qual andou. Sentou-se num banco, que beirava uma praça, onde alguns vendedores ambulantes sentados de joelhos sobre seus tapetes, expunham suas mercadorias artesanais. Um desses tapetes com mercadorias lhe chamou atenção. Tommie levantou-se e chegou perto, pegando um livro nas mãos. Era um livro simples, de brochura, mais ou menos umas duzentas páginas. Olhou bem a capa. Por um súbito momento lhe bateu um frio na espinha, e suas mão tremeram. Algo familiar naquele livro lhe causou um repentino choque. Mas que estado de choque, ele estava paralisado, olhos envidrados.

Tommie estava perplexo com o que estava vendo. Segurava em suas mãos um livro azul, intitulado “As aventuras de Willy Caolho & Jack” assinado por Tommie Skrew Swamp. Era impossível existir tal livro. Esses eram o nome e as histórias de Tommie. Ele escrevia apenas para um periódico, junto com alguns amigos. Nunca imaginou algum dia ver seus personagens ganharem espaços em páginas de livros.

Mas não entendia como aquelas histórias chegaram a ser publicadas, ainda mais sem seu consentimento. Parecia uma criança folheando o livro, e a cada página que via lia coisas totalmente familiares. Suas histórias. Seus personagens. Suas palavras. Suas idéias.

Por um momento sentiu saudades, e algumas lágrimas caíram de seu rosto. Tommie fechou os olhos e lembrou-se de uma frase que criara para um de seus personagens: “quando morremos deixamos de existir”.

Tudo ficou tão lógico. Tommie entendia o porque era possível existir aquele livro.

Fechou-o e o colocou de onde havia retirado, e chorando, partiu andando. Sem direções ou rumos.




Tommie Skrew Swamp morreu dia vinte e um de agosto de dois mil e seis, no escritório de sua casa, enquanto escrevia a última história de Willy Caolho & Jack.

=?

Prezados leitores,

Me desculpem por não estar escrevendo aqui seguidamente.

Percebi que tenho perdido muito tempo assistindo TV.

A partir de hoje vou utilizar melhor o meu tempo fazendo coisas como ler mais livros e escrever mais aqui.

Tenho que terminar agora porque meu programa favorito vai começar.

Seu amigo,

Maneco van Pelt

quarta-feira, agosto 16, 2006

71%

Hoje fui pro bar antes de ir pra aula. Pra que... Com um bom bohêmio acabei não indo assisir à classe. No caminho de volta pra casa, no costumeiro ônibus madrugueiro duas moças ao meu lado conversavam:


- Só ralei hoje no trabalho.

- Pois é... - Disse a outra, tão desolada quanto a primeira.

- Ainda que hoje é só quarta-feira.

- Pois é... Bem que podia ser sexta

- Ah, nem me fale - suspirando.


Então me perguntei: será que a única diversão do povo é esperar que a semana passe logo para chegar ao sábado? Será que essas pessoas não vivem durante os dias úteis. Aliás, o quão úteis são esses dias para essas pessoas?


Será que um dia útil é tão útil quanto um dia de final de semana? Todos esses pensamentos, claro, vieram num estado ébrio (como diria meu amigo Tommie).


Será que a vida só acontece durante o sábado e domingo? E o resto dos dias? E os 71% da vida sendo levados durante os cinco demais dias? Será que essas pessoas esperam todo esse tempoe perdem 71% da vida achando que devem ser felizes só durante o final de semana?


Por mim hoje podia ser segunda-feira. Da semana passada.

Quem realmente sou!

Menosprezo eu, um nome, ocultando minha egolatria. É assim. Não distante, reviverei ébrio.

Tommie S. Swamp

terça-feira, agosto 15, 2006

Segundas podem ser legais

O fim de semana foi meio parado e trabalhei o dia todo... Tava caindo de sono quando saí do trabalho e ainda tinha aula na faculdade.

Direito Aduaneiro, tributação... super empolgante pra uma noite de uma segunda-feira!

De repente, uma mensagem no celular:
"Absolut Vanilia, alguns energéticos, casa sozinha e muita saudade. E aí??"

Tem pessoas que realmente sabem animar uma segunda-feira. Ah, se tem...

segunda-feira, agosto 14, 2006

O cunhadão

Morri.Foi numa viagem em uma estrada sinuosa, de carona com minha irmã e o cunhadão.

Pra explicar a vida dele é preciso de uma outra história, mas, obviamente, ele é um idiota!

Tudo ia mais ou menos bem: minha irmã dormindo no banco da frente, o cunhadão fazendo merda no volante e eu ali, só de olho. De olho que vi uma placa dizendo "Cuidado, falha na pista". Obviamente só eu vi.

Dali em diante foi-se tudo. Ele tentou ultrapassar um caminhão na curva, perdeu controle e a proteção da estrada não foi suficiente para o impacto do carro.

Mesmo assim, dos três ali naquele carro eu fui o único a saber porque morri.

sexta-feira, agosto 11, 2006

O irlandês...

Chegou ao consultório odontológico e sentou-se no sofá.

A secretária balançou a cabeça afirmativamente para mostrar que havia o visto chegar e continuou lixando a unha.

Do som saia uma música ambiente. A música parecia ser relaxante e calma.

Ele ficou encarando o nada por alguns minutos.

Na mesinha de centro, algumas revistas de fofocas de meses anteriores.

Coçou suas suíças ruivas, ajeitou os óculos e prosseguiu olhando o vazio.

A música continuava. Estava havendo um solo de sax.

Voltou a coçar as suíças ruivas, ajeitou os óculos e alisou o bigode.

A música parecia mais alta.

Se levantou e foi até o corredor que antecedia a porta.

Voltou com uma machado que havia tirado da porta de incêndio e o fincou bem no meio do som.

Sentou-se no sofá e continuou aguardando ser chamado para a consulta.



Tommie S. Swamp

quarta-feira, agosto 09, 2006

Sobre ser um van Pelt...

Pobre Manoel van Pelt.

De todos os Manoel van Pelt por aí, ele é o mais Manoel van Pelt de todos.

terça-feira, agosto 08, 2006

Willy Caolho & Jack - Whisky

- Jack…

- Jack…

- Jack, acorde! – gritou um alegre Willy Caolho
- Que foi Willy? – um sonolento Jack, saindo de seu recluso reduto.
- Venha ver uma coisa. – Willy, estava na beirada da sacada de seu casebre.
- Mas a essas horas da madrugada? Não pode deixar o dia nascer? – Jack, percebendo que a lua ainda estava no meio do céu.
- Deixe de reclamar seu jacaré preguiçoso, para você tanto faz ser dia ou noite. Você mesmo disse que não sofre com a ação do tempo, portanto não sente sono.
- Sim, eu sei Willy. Mas eu estava concentrado em nossos pensamentos.
- Depois você pensa. Ou melhor, nós pensamos. Agora veja isso. – apontando em direção ao pântano
- Ver o que Willy?
- Você não está vendo?
- Não Willy...o que é para ver?
- O pântano!
- O que tem o pântano Willy?
- Não vê? Ele está girando!
- Willy, acho que você está bêbado. O que você bebeu?
- Bebi só umas garrafas de whisky!
- Você diz aquelas 7 garrafas de whisky que estão em cima da mesa?
- Por aí...mas veja, o pântano. O pântano está girando! Isso não é maravilhoso?
- Ah se é... – se já era difícil dialogar com Willy sóbrio, pior era um Willy ébrio. – mas ele só está girando para você. Para mim ele continua parado.

E ficou Willy Caolho, de braços abertos na beira da sacada de seu casebre, vendo o pântano girando, girando...girando...girando...até que sentiu seu corpo ganhar peso para frente e cair desenfreado na grama, em frente a sacada. Dormiu ali mesmo.

Jack estava tão feliz por se sentir livre. Não havia mais ninguém para lhe perturbar por algum tempo. Até que sentiu um tapa nas costas:

- Jack, como é bom ver você amigo!

Jack se assustou, afinal, nunca sentira um contato físico antes.

- Quem...quem é você?! – Jack, assustado com tal fato.
- Eu sou nosso eu ébrio!
- Não pode ser!
- Claro que pode. Quando o seu outro eu bebe, ele me libera.
- Então seriamos 3 eus?
- Deixe de ser bobô, jacaré. Vocês são 2. Eu sou só uma manifestação mais desprendida de Willy!
- Então você é o Willy?
- Não, eu sou eu.
- Ai, ai...acho que isso vai demorar para passar...
- Ótimo, enquanto isso que tal jogarmos cartas?

- Era o que me faltava...- murmurou Jack, imaginando a ressaca que o aguardava.

Tommie S. Swamp

quinta-feira, agosto 03, 2006

Eu vi as notícias hoje. Algumas, só...
Política, política, política e política.

Um pouco de violência, pra variar...

Mais uma vez as coisas mostraram que sou só mais um van Pelt nesse mundo.

Mas tinha lá uma notícia sobre Stonehenge, um sítio arqueológico celta de pedras (tipo aqueles menires que o Obelix carrega) na Inglaterra.

Fiquei afim de ir pra lá.

Ser um van Pelt in Stonehenge.

terça-feira, agosto 01, 2006

Willy Caolho & Jack - O dia da caça

O dia já tinha amanhecido. Atrás das montanhas brilhava o sol, iluminando o vasto campo, até os limites do pântano. O casebre de Willy Caolho já recebera os primeiros raios solares, dando um tom de vida a ela. Na varanda, Willy estava sentado em sua cadeira de balanço, fumando seu cigarro de palha enquanto espreitava o céu.

- O que você está matutando Willy? – pergunta Jack, num tom despretensioso.
- Jack, você deveria saber melhor do que ninguém. Afinal, se você está em meus pensamentos deve ter acesso a eles.
- Bom...nesse caso sugiro que prefiro caçar a arrumar novamente o motor da camionete.
- Ótimo! Estava numa dúvida cruel desde que acordei. Caçar ou arrumar o motor? Mas agora que você desempatou iremos caçar.

Willy não imagina o quanto Jack ficou feliz. Não que Jack gostasse de caçar, pelo contrário, mas não agüentava mais consertar aquele motor. Não que isso exigisse algo dele, afinal, era um trabalho inteiramente manual. Mas aquilo já se tornara chato.

Passado da metade da manhã, saía Willy Caolho e Jack para caçar. Willy levava sua espingarda, e uma pequena bolsa de couro, com cartuchos extras, um pedaço de queijo e um talo de salame, caso sentisse fome no caminho.

Tomou a estrada ao norte, chegando na vereda que entrava na floresta. Uma meia hora de caminhada adentro, se embrenhou numa moita e ficou esperando por algum animal desavisado entrar na mira de sua espingarda.

Enquanto isso Jack cantarolava uma canção.

- Jack, pare de cantarolar, isso vai assustar e afastar os animais. – Willy, num tom de repreensão.
- Willy, como os animais me ouvirão se eu sou uma voz que só existe na sua cabeça? Ninguém mais pode me ouvir a não ser você.

- Isso significa dizer que fora de mim você não existe?
- Isso é lógico Willy! Afinal eu sou seu outro eu. Se eu passar a ser outra coisa que não o seu eu, logo eu não existira, ou então, você.

Willy engoliu em seco, ficou assutado com a idéia de como seria não existir.
Houve então um barulho a frente. Era um cervo que estava comendo alguns ramos de folhas por ali. Willy logo puxou sua espingarda, quando uma lebre parou quase que em frente ao cervo. Willy ficara em dúvida. Qual dos dois escolher para o almoço? Não poderia atirar num e depois no outro, visto que o tiro assustaria o segundo a receber o tiro. Willy mirou bem na lebre, que era seu prato favorito.

- Não, lebre não! – deu um grito Jack.
- Mas é meu prato favorito!
- Eu prefiro cervo!
- Mas eu quero lebre!
- Não! Cervo!
- Azar o seu Jack. Eu vou atirar na lebre, e em instantes estaremos degustando uma deliciosa lebre assada.
- Engano seu Willy. Eu vou bloquear seus comandos ao seu cérebro, e enviarei a informação para que a mira vá ao cervo.
- Não, você não pode fazer isso comigo. Digo, com nós!
- Claro que posso, e não só posso, como estou fazendo.

Nisso a mão que fazia mira na espingarda de Willy se moveu um pouco acima, bem no coração do pobre cervo.

- Não eu tenho que evitar isso! –Willy, já com o rosto molhado de suor pelo esforço de fazer força para trazer seu braço novamente na mira da lebre.
- Willy, não queira lutar contra seus próprios pensamentos.
- Jack, você me paga. Seu jacaré miserável!
- Que feio Willy. Maltratando seu próprio pensamento. Você não sabe como eu fico desapontado com isso.
- E como posso tratar bem um pensamento que contraria meu desejo de comer carne de lebre?
- Ora Willy, nós comemos carne de lebre todos os dias. Vamos variar um pouco.
- Mas Jack, você nem pode sentir o sabor dos alimentos!
- Isso é verdade. Eu não sei qual o gosto de uma lebre e nem qual é o gosto de um cervo.
- Então deixe eu comer lebre...
- Não Willy. Apesar de não sentir o gosto de uma lebre e de um cervo, eu prefiro cervo!

E Willy usa toda sua força para mirar na lebre, mas quando puxou o gatilho, Jack conseguiu usar o cérebro para desviar a mira no cervo. Mas, na indecisão do momento, a mira se perde no nada e a bala não acerta nem um nem outro. Os animais assustados fogem de lá, restando apenas a fumaça que saía do cano da espingarda.

- Ótimo, agora ficamos sem o almoço... – Willy, desapontado
- Por mim tudo bem. Não sou a parte de nós que sente fome mesmo...

E Willy Caolho tomou o trajeto de volta, revoltado com seu próprio pensamento e a barriga roncando de fome.

Tommie S. Swamp